Conta de luz deve subir bem mais que a inflação em Pernambuco neste ano
Conta de luz deve subir bem mais que a inflação em Pernambuco neste ano
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Conta de luz deve subir bem mais que a inflação em Pernambuco neste ano

Reajuste estimado pela Neoenergia Pernambuco é o maior entre as principais distribuidoras do país, segundo levantamento setorial

O orçamento das famílias pernambucanas deve sentir um impacto mais forte da conta de luz em 2026 do que a média nacional. Levantamento da consultoria Thymos Energia projeta reajuste médio de 7,64% nas tarifas de energia no país, mas aponta a Neoenergia Pernambuco, distribuidora que atende o estado, como a que deve aplicar o maior aumento entre as principais concessionárias analisadas. O dado gera uma dúvida direta para quem já sente o peso da conta no fim do mês: por que a energia sobe tanto mais que a inflação oficial, e o que pode ser feito para amenizar esse efeito no bolso do consumidor pernambucano?

Por que a conta de luz sobe mais que o IPCA em Pernambuco

A fatura chegará mais salgada na Neoenergia Pernambuco, com reajuste estimado de 13,12%, um dos três maiores aumentos projetados pela consultoria Thymos entre as distribuidoras do país. Para efeito de comparação, o mercado financeiro projeta um IPCA de aproximadamente 3,99% para 2026, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Isso significa que o aumento estimado da energia em Pernambuco pode ficar mais de três vezes acima da inflação geral, um descompasso que já vinha sendo observado em 2025, quando a energia residencial subiu 12,31% no país e se tornou o item de maior peso individual dentro do IPCA, que fechou o ano em 4,26%. CNN Brasil

Esse comportamento não é exclusivo deste ano. Levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia mostra que, nos últimos 15 anos, o preço da conta de luz no Brasil subiu 177%, enquanto a inflação acumulada no mesmo período avançou 122%. Entre os fatores que explicam esse descolamento estão o custo de acionamento das usinas termelétricas, mais caras que as hidrelétricas, o risco hidrológico embutido em contratos de geração e o sistema de bandeiras tarifárias, que cobra valores adicionais sempre que o sistema elétrico depende de fontes de energia mais onerosas. A possível transição do fenômeno La Niña para o El Niño ao longo do ano é apontada por especialistas como um risco adicional, já que pode reduzir o volume de chuvas justamente nas regiões Norte e Nordeste, elevando ainda mais a necessidade de acionar bandeiras tarifárias.

O peso da Conta de Desenvolvimento Energético na fatura pernambucana

Um dos principais vetores estruturais desse aumento é a Conta de Desenvolvimento Energético, mecanismo que financia subsídios do setor elétrico e é pago por todos os consumidores dentro da própria tarifa. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios distribuídos por esse fundo, um crescimento de 17,7% em relação ao valor estimado para 2025. Essa conta financia descontos para consumidores de baixa renda, produtores rurais e irrigantes, entre outras políticas públicas do setor, mas seu crescimento contínuo é apontado por analistas como um dos principais responsáveis pelo encarecimento estrutural da energia no país, incluindo Pernambuco.

Há, no entanto, um fator que pode aliviar parte dessa pressão especificamente para o Nordeste. Recursos oriundos do Uso do Bem Público, pagos por empresas geradoras de energia, podem ser direcionados para reduzir tarifas em regiões atendidas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, órgão que abrange Pernambuco. Caso todas as geradoras elegíveis aderiam à proposta, ainda em consulta pública na Agência Nacional de Energia Elétrica, a estimativa é de queda média de 10,6% nas tarifas residenciais dessas áreas, o que poderia suavizar bastante o impacto do reajuste anunciado pela Neoenergia Pernambuco caso a medida seja aprovada e implementada ao longo do ano.

O que o consumidor pernambucano pode fazer diante do aumento

Diante desse cenário, especialistas em economia domésticas recomendam atenção redobrada ao consumo de energia nos meses de maior calor, período em que o uso de ar-condicionado e ventiladores costuma elevar significativamente a fatura. Simples ajustes de hábito, como evitar o uso simultâneo de vários aparelhos de alto consumo e verificar a eficiência energética de eletrodomésticos, tendem a ganhar mais relevância neste ano, justamente por conta do reajuste acima da média nacional projetado para o estado.

Também vale ao consumidor pernambucano acompanhar as decisões da Aneel sobre a proposta de uso dos recursos do Uso do Bem Público para o Nordeste, já que uma aprovação nesse sentido pode reduzir de forma expressiva o impacto do reajuste anunciado pela distribuidora local. Até que essa definição ocorra, a orientação de economistas é que as famílias já incluam no planejamento financeiro do segundo semestre uma alta relevante na conta de luz, evitando surpresas no orçamento doméstico nos meses em que o consumo de energia tende a ser mais alto.

 

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