Yuri Silva Portela
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Como praticar o cuidado humanizado mesmo diante da escassez de recursos no sertão?

O Dr. Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, construiu um modelo de cuidado que prova que é possível oferecer excelência clínica sem abundância de recursos, desde que haja clareza de propósito e qualidade humana na equipe. Isso porque existe uma narrativa comum no campo da saúde que associa qualidade de cuidado a recursos abundantes, tecnologia de ponta e infraestrutura hospitalar sofisticada. A realidade do sertão nordestino, contudo, confronta essa narrativa todos os dias. Em localidades onde falta tudo, o que não pode faltar é a humanização, a criatividade e o comprometimento genuíno com as pessoas. 

Ao longo deste artigo, você vai entender como o cuidado de qualidade sobrevive e prospera em contextos de escassez. Acompanhe.

O que a escassez revela sobre as prioridades do cuidado?

No momento em que não há recurso para tudo, é preciso escolher o que realmente importa. E essa escolha, forçada pela escassez, frequentemente revela que os elementos mais essenciais do cuidado não são os mais caros. A escuta qualificada não precisa de equipamento. A avaliação funcional de um idoso pode ser feita com um cronômetro e atenção treinada. A orientação nutricional adaptada à realidade local não exige software especializado. A escassez, paradoxalmente, pode clarificar o que a abundância às vezes obscurece.

O fundador do projeto social Humaniza Sertão, doutor Yuri Silva Portela, aponta que trabalhar no sertão forçou uma revisão constante sobre quais intervenções têm impacto real dentro das possibilidades concretas de cada comunidade. Isso porque, essa revisão o torna mais preciso, mais contextualizado e mais alinhado com as necessidades reais de quem é atendido. Em suma, a medicina praticada sob restrição desenvolve uma criatividade clínica que ambientes abundantes raramente estimulam.

Yuri Silva Portela

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A equipe do Humaniza Sertão, com mais de vinte voluntários de diferentes especialidades, demonstra que a escassez de recursos financeiros não impede a riqueza de perspectivas. Considerando que cada profissional traz sua área para o encontro com a comunidade, o resultado dessa combinação é um cuidado mais completo do que muitos serviços bem equipados conseguem oferecer.

Como adaptar o cuidado geriátrico à realidade de recursos limitados?

A adaptação começa pelo mapeamento honesto do que está disponível. Quais alimentos existem localmente que podem compor uma dieta adequada para o idoso? Quais atividades físicas são praticáveis dentro das limitações de mobilidade e de infraestrutura da comunidade? Quais recursos de apoio social existem, mesmo que informais, que podem ser fortalecidos? Essas perguntas produzem planos de cuidado que têm chance real de funcionar.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, as doações de cestas básicas e fraldas realizadas pelo Humaniza Sertão existem exatamente porque o cuidado não pode ser planejado no vácuo das carências. Portanto, garantir segurança alimentar básica não é assistencialismo desvinculado da clínica. É a condição mínima para que qualquer orientação de saúde tenha aderência real na vida das famílias atendidas nas comunidades do sertão de Quixadá.

O que a escassez ensina sobre o essencial no cuidado ao idoso?

Para o doutor Yuri Silva Portela, três anos de atuação em contextos de alta vulnerabilidade ensinaram que o que mais transforma a experiência do idoso não é o equipamento disponível. É a qualidade da presença humana de quem cuida. Um profissional atento, respeitoso e comprometido com o bem-estar real do paciente produz resultados que superam os de ambientes tecnicamente superiores, mas humanamente pobres.

O cuidado que prospera na escassez é um cuidado que sabe o que é indispensável. E o indispensável, no final, é sempre humano.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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